terça-feira, 9 de novembro de 2010

Homicida nas horas vagas.

A gente mata as pessoas aos poucos... com cada ação indesejada, com cada mentira mal calculada... o assassinato frio e direto nunca é uma boa saída. Preferimos o esquartejamento, somos homicidas nas horas vagas. Assim, nós sofremos menos e eles mais. Assim, nos desapegamos melhor. Choramos em prestações as dores que não cabem no peito.
Amar por inteiro não é a saída mais segura... pelo menos não o amor à vista... mas amar em prestações não faz sentido. Amar aos poucos estraga o bom do amor.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Poeira padecida.

Pâmela Poesia perdia as paixões da vida por pensar em proporções padecidas os pequenos poemas da poeira de todo dia.

domingo, 31 de outubro de 2010

Poema incompleto.

e aquela coisa sem jeito,
que entalou no peito,
e continua sem ser feito...

e aqueles olhos mudos,
os corações surdos,
os jeito turvos...

e tudo que não foi dito,
tudo que não foi escrito,
que morreu na idéia
que é do amor o templo
que murchou antes do tempo

e tudo que foi preso,
que hoje é peso
de uma história sem fim
onde não há mais tempo pra mim...

...e onde o tempo pra ti não vem
nem pra nós, meu bem.




quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ponto e vírgula

ela era filósofa e amável,
ele era certo e concreto.
ela era escandalosamente mutável,
ele constantemente discreto.

ela relativizava,
ele realizava.

ela queria o mundo todo,
ele queria só um pouco.
ela ria coberta de lodo,
ele achava isso louco.

ela era toda vírgulas,
ele ponto finais.

tantos pontos finalizaram um amor sem fundamento,
que por uma vírgula não foi casamento

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

Realidades e felicidades.

E nós queríamos tanto sermos felizes que esquecíamos de pensar. Esquecíamos por medo, pois era tão duro e dolorido... esquecíamos por conveniência, pois não queríamos agir. Esquecíamos por vontade própria, pois queríamos nos deitar à noite sem aquele sentimento de culpa. Aquela sensação de quem não fez o que tinha que fazer... pois se escondeu atrás das desculpas do cotidiano. Se escondeu atrás de provas, de trabalhos, de filhos, de namoros..."eu não tenho tempo", "eu não posso fazer nada", "como se uma pessoa fosse fazer a diferença!".
E em cada dia mais uma desculpa e menos uma ação. E a cada dia, o circo em nossa política permanece inalterado, a injustiça e a violência se normalizam, mas, o mais importante, a felicidade, continua inalterada sem tomar consciência. Segue com sua alegria fútil comprada todo dia.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Das relações humanas II

O dia está lindo. Fecha os olhos. Caso contrário, a visão deste céu tão azul te impedirá de sentir gosto azedo da culpa. E esse gosto, impregnado em teus lábios, em tua língua, faz tua boca salivar e teu desejo arder por mais. A culpa já não te impede de prosseguir. Tu já a associou ao prazer.
Não há nada nesse mundo que te de tanta alegria como sentir-se a vítima. E, como boa vítima, procura uma vingança. Mas uma vingança discreta, que não te faca parecer o vilão, mas que ainda assim te de aquele gostinho de culpa e gozo, de ver chorando quem um dia te fez chorar.