terça-feira, 20 de setembro de 2011

Filha da violência.

Mesmo no teu sorriso mais belo, teus olhos ainda te denunciam.
E em teu abraco mais impessoal, ainda busca carinho...
Em cada momento de sonho, ainda há uma sombra.
E a quem beijar teu rosto, o gosto das lágrimas.

Há em ti o medo. Um desses que mancham uma família inteira de dor.

Escondido em teus olhos o medo dos agredidos.
Buscando com teus abraços os carinhos prometidos...
Em qualquer felicidade, foge das lembranças maltratadas.
E o gosto do teu rosto guarda o segredo das noites silenciadas.




Febre

Em movimentos infinitamente circulares o estômago se contorce enquanto busca palavras para vomitar a dor de ser. O corpo chora pelos poros as lágrimas que os olhos se negaram a chorar.
A confiança entre cérebro e corpo foi quebrada. Nem minhas pernas, nem minhas mãos me defenderão do chão se ele me puxar... temo que qualquer passo se torne uma queda.
Meu corpo treme, hesitando em se entregar para o frio que cresce. Mas ele ainda assim cresce. E as cobertas não bastam. Blusões são inúteis. Nada aquece o frio que vem de dentro...