quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Das relações humanas.

Ninguém é propositalmente egoísta, ninguém faz nada por mal. Sempre há ótimos motivos.
Todos temos a pretensão de sofrer mais que os outros, todos gostamos do papel de vítima.
Mas em um mundo de aparentes vítimas, vilão é quem viu que esse sofrimento não é real?

Desamor

E ao olharmos para trás achávamos graca nos desejos de outrora. No início, ficávamos tristes pelo passado que era, e que poderia ainda ser. Mas depois, riamos amorosamente de tudo aquilo que já não víamos a não ser nas memórias dos sonhos que poderiam ter sido.
E todos os risos, e toda amizade, e todos os planos foram enterrados sob o concreto intransponível de uma inveja cega. Enterrados sob a égide de teu desejo por uma felicidade alheia. Já não eras mais tu e não vias mais a mim como tua amiga, tua companheira. Hoje eu era somente uma provocacão constante dos amores que nao tivestes.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Orfeu em meus caminhos

Confundi minhas pernas por tantas vezes, por tantos caminhos; chorei por tanto amor que nunca existiu; suspirei por tantos sonhos pequenos... que me perdi em um milhão de cores abstratas. Já não sabia mais pra onde estava indo ou o que estava sentindo. Só ia... e foi assim, meio que querendo, meio que evitando, que me perdi em algum lugar confortável. Confortável, óbvio e desconfiadamente desejado. Meu caminho só fazia sentido assim, e já não importava se esse era o jeito certo, se os sonhos de outrora ainda se realizariam ou se os antigos amigos ainda vivam. O conforto e a segurança que aquele achado inesperado me proporcionava já me dava amor e vida superiores a todo mundo que me sufocava.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Em busca de Canaã.

Sentia-se acuada e presa. Fugindo sem saber bem de que. Indo sem saber bem pra onde. Só sabia que precisava ir. E no caminho enterrava os sonhos da vida antiga sob seus passos que avançavam rumo à sua Canaã. Enterrava seu passado e os rostos, outrora queridos, sob o concreto frio da cidade que deixava.
Já não sabia quem era. E ao olhar pra trás, percebeu que na verdade nunca soubera. E que aquela cidade; cujos sons, cores, cheiros e gostos ela conhecia tão bem; já não lhe era familiar. Vista de longe, ela era como qualquer outra. Assim como aqueles que lhes foram queridos, aqueles que a traíram, que a beijaram, que a magoaram. Já não importava mais. Um mundo todo novo a aguardava. Ela só precisava descobrir onde era sua Canaã.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010