Em uma Paris onde nunca há estrelas, a noite dorme sem sonhos. E sol que sempre nasce, aqui se esconde atrás das nuvens. A cidade do romance já não sabe amar. Ela só sabe se erguer cinza e impetuosa sob seus habitantes, sufocando sua luz e desbotando suas vidas. Construindo seu triunfo com a nossa escuridão.
Nossa luz é o que nos mantém erguidos. Nossa artificialidade que nos enterra sob o concreto.
Em uma noite sem estrelas, onde a única luz é artificial, não pode haver esperança de um mundo melhor.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
História anônima.
A verdadeira história da humanidade se passa entre dois amantes. É entre eles que se cria a eternidade. É entre eles que a imortalidade vive em uma hora.
A verdadeira história é vivida anônima, no silêncio que se basta. Mas a vivemos como gigantes. Maiores que o mundo! Maiores que o tempo!
A verdadeira história é vivida no amor. E só no amor. É ele que ensina os sonhos a viverem.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Os verbos não pesam nem bastam.
Viver é insustentável. A vida nos esmaga com o peso de seus dias... mas é esse peso que não deixa que o tempo se volatilize.
Ser, é só leve. Sua leveza reside na literalidade dos verbos, na simplicidade crua deles... mas eles nos prendem por não saberem se conjugar no tempo e pessoa certas. A vida é abstrata, e não se completa com a literalidade.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Sapatilhas.
Não é o meu corpo, nem a gravidade que me prendem no chão, mas meus pés. Essas coisinhas achatadas pelo peso a terra não entendem o sentido de voar. Como raízes que prendem minha alma, são minha conexão com o sujo.
Os pés só são bonitos em sapatilhas de pontas. Só assim eles me elevam aos céus.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Rebeldia e ambição.
Para ela, ele havia sido somente uma traição. Um movimento de rebeldia que a impelia para longe da mãe. Encontrar o amor no ato de amar era renegar os ensinamentos e se entregar aos medos maternos.
Para ele, ela havia sido sua maior ambição. nunca havia se doado tão alto a um sonho. E do topo dele, avistando o casamento idealizado, sentia vertigem. Tinha medo de cair pois sabia: nunca mais sonharia novamente.
E desse medo ele alimentava cada vez mais sua obsessão por ela, e suas perguntas e ciúmes silenciavam o amor e a boca amada. O silêncio do firme cerrar de lábios dela era o último refúgio onde mantinha a traição à mãe. E o primeiro passo de sua traição ao amor.
Tempo e tragédia.
A tarde é a manhã dos bêbados. Esses seres noturnos que se arrastam pelos dias buscando o próximo copo. E que parecem só ter vida quando os únicos astros visíveis no céu de suas metrópoles são as dos postes. São eles que iluminam amarelo suas vidas. Essas vidas que são todas umas tragédias pelo mero fato de serem vidas. Mas quem chora por elas? Afinal, os passos tortuosos que avançam esquecem do tempo que os segue. Enterre o tempo, que enterrarás todas tragédias.
Assinar:
Postagens (Atom)