segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

E se pegar fogo?


Diariamente as pessoas me falam sobre seu medo do fogo. Irremediavelmente, inegavelmente, todas (e isso me inclui) têm esse medo moderno, que eu diria ser quase uma fobia.
Essas pessoas têm um frio que lhes dói a alma e faz tremer o corpo, mas não acendem a lareira. Ficam sem luz, mas não acendem as velas. Matariam por uma comida quentinha, mas não se atrevem a ligar o fogão. Até da pimenta se abstém no medo de que aquele sabor picante as leve aos desejos que têm pelo fogo. Sim, junto desse medo há um desejo.
Comumente, o desejo é tão grande que como resposta natural temos o medo. E é esse medo que faz com que as lareiras fiquem desligadas em pleno julho, que as casas permanecam escuras, as barrigas vazias de comida quente e a feijoada sem pimenta.
Esse medo as leva sempre à mesma reacão, à mesma inseguranca, à mesma pergunta: "mas... e se pegar fogo?". No medo que o fogo se torne algo maior que elas mesmas, seguem fazendo tudo morno e sem gosto. Sem novo. Fogem diariamente do que elas na verdade desejam.
Quer saber? Se pegar fogo DEIXA QUEIMAR! Deixe que ele se torne maior que você mesma, que ele arda e consuma seu corpo inteiro. Acabem com esse frio, iluminem suas casas. Já é hora de deixar arder algo em suas (nossas) vidas. E se tudo virar cinzas, ao menos significa que o fogo foi bom.
Um bom fogo não se controla. Então fica a dica: se pegar fogo, deixa queimar!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Crescer é ser atirado virgem à vida sem aviso prévio. E essa virgindade nos é tirada na marra. Sem lubrificantes, sem pré-eliminares, sem qualquer conforto. É súbito e à seco. E dói.
Mas passa. Demora pra cicatrizar, mas cicatriza. Mais cedo ou mais tarde...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Despetalar

Bem-me-quer, mal-me-quer. Será que o destino dos homens está mesmo escrito nas pétalas de uma flor?
Acho que a grandiosidade está mesmo na delicadeza. E o destino na simplicidade quase invisível. Pensar que a vida está escrita nas flores não é tão abstrato nem tão impossível assim...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Giz de cera.

Eu queria ser crianca de novo. E ver desenhos animados. Descartar a realidade feia das coisas e imaginar cores onde é cinza. Pintar a beleza onde é feio. Poder ver o mundo chato e difícil com a simplicidade e o descaso que de fato merece.
Ser crianca, mas crianca bem pequena, que ainda tem todo um mundo pra descobrir. Que comemora quando consegue ficar em pé. Que se deslumbra ao descobrir que tem um pé. Que come giz de cera achando que vai ficar colorida e acredita, que se tiver muita, mas muita fé(e um pouco de pó mágico), pode voar até a lua.
Enfim, queria ver o mundo como ele merece ser visto: simples mas deslumbrante e infinito. E não chato, imutável, invencível... cansei desse cinza que me cobre. Será que me arrisco no giz de cera?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Buraco sem fundo

A bebida, a música, os amigos. Um bom clima, férias e uma noite sem fim. Ainda assim, falta. Falta mais que eu. Os sorrisos não são reais. Os beijos não são leais. O mundo gira com a bebida e meus pés não encontram o chão. E meu corpo não encontra uma razão de ser... e minha alma não entende o por quê.
Eles se amam, sem sentir, por um momento. São amigos para sempre, por uma música. São os donos do mundo, com alguns copos. São intelectuais, com alguns baseados.
Por que buscamos em estranhos aquilo que nos falta? Por que sufocamos nossas mágoas com outras tristezas? Por que repetimos tantas e tantas vezes os mesmo erros?
Nem a bebida, nem a música, nem os amigos. Nada disso supre esse buraco que criamos. Nem todos eles juntos me fazem entender esses rituais circulares dos quais eu também faco parte. Em vão.
Nada disso me preeche.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

(Enfim:) Nada.

não volta.
já não tem volta
leva o que prende
leva que tu pretende.
leva
teu presente
(meu não futuro)
que é teu.

Teu
sonho.
meu
fim.

Balão de Hélio.


Há dentro de mim um um excesso de ar. Um ar que nasce há toda hora, que me enche, que me infla e me leva às alturas. E que se perde pelos meus poros. Ele nunca para. Nasce, move, foge e morre. Mas sempre morre longe de mim. Antes de sua morte viaja pelo mundo inteiro. E me conta as histórias mais fantásticas, me traz as imagens mais belas. As vezes até deixa marcas. As vezes vira pintura, ou sonetos, ou histórias antes de dormir...
Mas esse ar não é como qualquer outro. Ele não é assim, só ar. É mais leve, mais livre. Diria que é como o hélio: nobre e leve. E pode encher balões que voam muito mais alto. Só não é tão estável... mas que imaginação é?

domingo, 6 de fevereiro de 2011

DesCulpa

O gosto do que eu não fiz. O gosto do que eu não fiz.Ogostodoqueeunãofiz.
Não fiz mas não sai mais de dentro de mim. Esse gosto de uma culpa que eu não tenho. Esse desgosto do que eu já te menti que não fiz.
Mas dessa vez não. Dessa vez não fiz mas fiquei com o gosto, com o cheiro, com o jeito de culpa. Com a aparência de quem fez. Merda. Se eu é pra eu me fuder então que eu tenha feito. Mas não fiz. Só senti. Acho que sentir é mais forte que fazer. Quando a gente faz sem sentir não fica com gosto de culpa. Mas quando a gente sente... quando a gente sente, mesmo que não se faca, nosso corpo todo, nosso jeito, nosso cheiro, gosto, cor, dor... é de quem fez. Se quiser mentir, faca. Não sinta. Se quiser ser, sinta mais do que permite a carne. Mas acostume-se com a culpa de quem amou o que fez.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Gravidade

Não pense que os dias vão deixar de nascer, ou que os ventos vão soprar em outra direcão. Não. Ninguém viu, ninguém se importou. Teu mundo parou de girar, o deles não. Tua chuva parou de cair, mas a gravidade não parou de te esmagar contra a terra.
O mundo real, o mundo grande nunca se importa com o teu mundo, um mundo pequeno. Nem deveria. Oras, deixa de auto-piedade, de medo, de pensamentos vãos. Afinal, tu vive no mundo grande e ele, com sua imensa massa e gravidade, sempre te puxa para o chão. Nunca se esqueca, quanto maior a massa, maior a gravidade.
Pois se tu quer puxar o mundo, então cresce. Teu mundo pode ser pequeno ainda, mas o universo é infinito. Se não te expande é só por que não quer.
Expanda-te. Nem o céu é o limite. Somente tu delimita onde termina e onde comeca teu mundo.