quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Das relações humanas II

O dia está lindo. Fecha os olhos. Caso contrário, a visão deste céu tão azul te impedirá de sentir gosto azedo da culpa. E esse gosto, impregnado em teus lábios, em tua língua, faz tua boca salivar e teu desejo arder por mais. A culpa já não te impede de prosseguir. Tu já a associou ao prazer.
Não há nada nesse mundo que te de tanta alegria como sentir-se a vítima. E, como boa vítima, procura uma vingança. Mas uma vingança discreta, que não te faca parecer o vilão, mas que ainda assim te de aquele gostinho de culpa e gozo, de ver chorando quem um dia te fez chorar.

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