quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sem saber.

Ela já não via onde cabia ser
nem onde cabia
nem onde ía

Ela, de distraída, perdia todo dia
mas do que podia
mas do vinha

Ela esquecia de viver o que sentia
de ver o que sabia
de ser seu próprio nome

Ela, que devia ser jovem, só sabia ter rugas na alma
nem sabia mais sentir calejar o coracão
muito menos como terminar essa cancão...

domingo, 24 de abril de 2011

Há muitas histórias.

Há muito mais para ser dito do que pode ser ouvido, muito mais para contar do que o peso do tempo pode carregar.
Há muitas histórias escondida nos séculos. Tantas, que a matéria mundana não consegue suportar.
Há tanto mais em nós do que sabemos ser. Somos só o que lembramos de ser. Somos as histórias que sabemos falar.
Somos só a sombra de uma existência que não teria fim...
E, ainda assim, não cabemos nos dias. Não cabemos nos séculos.
Mesmo que esquecamos de ser, o mundo não sabe nos carregar no tempo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

nuvem


Sempre achei que as nuvens pareciam feitas de tinta... de uma tinta que pintava no céu os sonhos dos homens. Sonhos tão altos quanto o limite da visão. Sonhos maiores que as almas dos homens. Tão maiores, que o mais perto que os sonhadores chegavam deles era quando chovia... e então eles podiam sentir esse breve vislumbre de como seria...
E todos pensavam... "Pena que as nuvens moram tão longe..."

Do perdão de todo dia.

Hoje o coração dói, o peito pesa, as lágrimas pendem. Hoje é como se nunca fossemos ser nós de novo. Como se nosso sempre tivesse sido interrompido. Como se o sempre acabasse...Mas amanhã... amanhã, com o soluco preso, as lágrimas entaladas e uma tristeza nunca dita, te perdoarei. Perdoarei as palavras que tu nunca disse, embora necessárias. As respostas que nunca tive, a verdade que eu nunca soube. Perdoarei tudo que tu esqueceu de fazer e o que tu fez sem me dizer. Perdoarei as noites que não dormi lamentando. Até os dias que não vivi.
Amanhã, meu amor. Amanhã, até a tua melhor intencão e a tua pior acão serão perdoadas e acolhidas como uma só.
Amanhã, meu amor. Amanhã. Hoje, é tarde. Dorme. Que eu durmo também. Dorme, que eu sempre vou acreditar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Surdez

A gente tem que aprender a ouvir. Temos que ouvir o que vem do fundo de nossa alma, entender aqueles sentimentos tão estranhos, transformar aquela abstração em palavras.
Acho que as respostas estão mesmo dentro de nós. Claro que não todas. Mas aquelas que nos dizem respeito já estão aqui. Aqui dentro, presas em nós, só esperando serem traduzidas para nosso ser diário. Pra esse nosso ser que só parece constante, mas que busca todos os dias uma mudança. Ele parece constante pois nós o tornamos assim. E se o fazemos é só pela conveniência. O previsível é muito mais fácil de se entender e muito mais fácil de se lidar. Não exige grandes esforços.O imprevisível é mais difícil, mas é o que ele é. E o que ele quer é trazer para o mundo aquilo que prende dentro de si, aquilo que é vivo e mutável, que sente, que expressa, que produz. É nascer para o mundo com toda sua grandeza, beleza e fragilidade.
Mas a gente não deixa. A gente não se deixa nascer. A gente não mostra esse nosso ser. A gente o esconde, o abafa com mil regras. Com mil medos. A gente torna a matéria prima de nossa alma algo cinza e sem graca.
Cinza e sem graca. Que nem essa cidade. Que nem essa alma de toda gente. Que nem essa alma minha que não mais sabe ouvir. Cinza, sem graca e surda.