quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Coisa.
Escrever é arrancar um pedaco da alma e formata-lo em letras. Choro quando escrevo pois arrancar esses pedacos dói. Dói sentir-se quebrada, enformada, embalada... em textos que lembram sentimentos. Lembram, não são. Lembram, pois aqueles sentimentos só viveram no breve momento em que foram sentidos. Já não são mais. Já não vivem mais. Assim como quem os sentiu viveu neles por um brevíssimo momento, mas isso já é lembranca... é, por certo, coisa passada. Com sorte, coisa lembrada. Por alívio, coisa escrita.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Entre o silêncio e o ser.
Me dói ver o mundo girar sem ir pra lugar algum. Girar em torno do próprio eixo, de oeste para leste, ou qualquer coisa que o valha, é o mesmo que nada.Movimento contínuo é o mesmo que nada!
Para que a terra gire, é preciso uma órbita. Mas não há órbita alguma sem um motivo para que ela exista. Aliás, não há terra alguma sem motivo para tal.
E não há motivo. Silêncio. Não há terra. Nem órbita, nem leste, nem oeste, nem nada!
De-me amor, de-me ódio, de-me qualquer coisa. QUALQUER. Mas de-me um motivo. Uma razão para terra girar, um amor para o sol nascer, um medo para que se esconda. Um medo de onde nasca a noite para que as estrelas possam brilhar. De-me um fluxo para que corram os rios, chuvas para esconder as lágrimas e ventos para renovar a alma.
Enfim, de-me vida. Pois a minha se esparramou em coisa nenhuma.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Sentir por querer.
As vezes nós queremos tanto sentir que o querer se torna maior que o próprio sentimento. Nos tornamos tão obcecados pela idéia, que nem notamos que sentimos passa a existir só pela nossa forca de vontade. Ele já não é genuíno ou real, é apenas um desejo de ser. Um desejo bem maior do que aquilo que realmente é.
Sentimento de verdade não se pesa, não se pensa se vale a pena, não se mede. Só se sente. Dispensando as razões de ser, independendo dos motivos que sejam. Só é. Não se controla. Não se muda. Só se vê nos olhos e nas cores da alma.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Baratas, sejam elas o que forem.
Hoje eu matei uma barata.
Joguei-lhe veneno e cruelmente a assisti morrer enquanto se debatia. Ela teve um morte horrível e lenta por sufocamento e eu sou a única culpada disto.
Mas as baratas são o nojo. São o sujo. São o lixo, a poluição, a doença, o feio... são os nossos medos e culpas reunidos e projetados naquele pequeno animal encarapacado. Não, eu não comi a barata. O sujo já é parte de mim. Eu já o sinto dentro de mim.
Odiamos nossa parte suja.
Aquela coisa marrom cheia de patas não é um bicho. É nós mesmos.
É a representacão do que fizemos com nossa terra.
É tudo aquilo que não queremos ver.
E o que se faz com o que não se quer ver? Simples, se tira de vista. Ninguém procura as razões para combate-las. Ninguém pensa em melhorar o saneamento ou resolver o problema do lixo. Não. Nós gostamos de praticidade. Matamos a barata e a jogamos no lixo.
Sempre fazemos isso com "baratas", sejam o elas que forem.
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