Aos poucos, ele foi fechando os olhos. Foi internalizando tanto a vida, que esqueceu que lá fora ela pode ser ainda mais linda. Com as pálpebras pesadas, ele dormia ao longo dos dias. À noite, quase que sem ser, flutuava entre sonhos e pesadelos, que se misturavam com a realidade. Seus poucos suspiros de vida, nas raras vezes que acordava, eram entre batalhas imaginárias e vitórias inexistentes. Era neste mundo tão mais fácil pelo qual ele viajava sem nunca deixar seu quarto mal iluminado de madeira escura.
Independendo de sua indecisão entre os dias, o tempo continuava passando. Independendo de seu medo da luz do sol, ele continuava nascendo e morrendo circularmente.
Seus olhos cada dia fechavam mais, e seu sono entorpecia seu corpo. O mundo não parou de girar porque ele quis descer. Nem vai parar. Do lado de fora do quarto, num mundo sem batalhas míticas nem histórias gloriosas, pessoas que te amam te esperam. Atordoadas com suas vidas de olhos abertos, mas te esperam. E tem saudades...