domingo, 14 de fevereiro de 2016

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O fechamento do ego é a ilusão de existir.
A teoria é a frustração de ser
O indivíduo que não sabe mais viver

quinta-feira, 13 de março de 2014

Ilusão

É ingenuidade criar identidade com conceitos imutáveis.
Nós somos a mudança personificada.

Em cada encontro cultural as diferenças são relativizadas
e as fronteiras reinventadas.
O diferente é abstrato.
criamos a teoria pois somos viciados no sentido.

Nos encerramos em nós mesmo com medo do outro.
O fechamento do ego é a ilusão de existir.
A teoria é a frustração de não saber ser.

sobrevivência

Sete dias. Sete sempre foi um número mágico, será que depois de hoje eu não vou mais ter medo...?

É tão bom estar aqui contigo... são 00:32. É engraçado como o tempo desacelera quando prestamos atenção nele. 00:32. Essas luzes aqui são tão bonitas! Uma beleza destrutiva. Por que a beleza costuma ser assim? Tanta energia em vão. Tanta energia consumida pra criar beleza. Imagino que boa parte da eletricidade que faz com que essa luz acenda venha de uma grande hidrelétrica. Imagino o tamanho da área alagada. Imagino a destruição. Será que vale a pena? (Não posso esquecer de botar o copo de água embaixo da cama). 00:32. O mundo continua o mesmo. E eu estico os minutos para que permaneça imutável por mais tempo. Eu quero tanto estar aqui. Aqui presente. Mas se eu ficar vou ter que lidar com o medo. Que força impressionante é essa. Medo. Medo da mudança, medo que ela te mate. No fim a gente só quer sobreviver e tudo mais que se foda. É tão bom aqui ao teu lado, eu podia segurar teu braço pra sempre... eu poderia matar pra sobreviver, hoje eu sei disso. O medo é o grande impulso da vida. Ele diz "quero que vivas". E ele não tem pudores ou hipocrisias, ele só age. Medo. "Fuja pra um lugar tranquilo". É o que dizem pra fazermos quando estamos em uma situação desconfortável da qual não podemos fugir, não? Engraçado que meu ponto de conforto reside no meu medo. Engraçado buscar a fuga na própria fuga... 00:33. E um minuto a menos. Sete dias. Sete dias. Será que amanha não terei medo? (Não esquece do copo de água).
-Vamos dormir juntos hoje? Quando tu me abraça eu durmo melhor.
Espero que ele não estranhe o copo... em baixo da cama... absorve as energias ruins, eles dizem. Droga, eu devia botar antes da meia noite! 00:33. Eu estava olhando o relógio e ainda assim o tempo fugiu de mim. Dizem que quem viver até 2050 não morre mais, que os cientistas vão alcançar a imortalidade. Será que eu vivo até lá? Será que vou ter dinheiro pra pagar por isso? 00:33. E eu só queria parar o tempo. Viver sem enfrentar o medo parece confortável, mas será que vale a pena? Medo. A gente consegue ter medo de quase tudo. 00:33. Talvez eu só devesse escorregar... deixar-se cair não tem nada de errado... sobreviver. O que é isso afinal?

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O sexo dos Anjos

-O que você quer dizer?
- Como eu posso dizer o que ninguém quer ouvir?
O sexo dos anjos está no desejo perturbado
O fim do mundo não está na arma nuclear,
mas entre as pernas de uma mente doentia.
A pior loucura é ninguém acreditar...
no que tu mais precisa dizer...
nem mesmo tu quer te ouvir pensar.

É essa estrela negra que existe dentro de mim.
Quando ela brilha apaga todo resto.
Ela ainda não me deixa falar...

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Ideologia do progresso

Toda discussão esquerda x direita é pautada pela ideologia do progresso.
A economia formalista presume a eterna insatisfação.
A demanda é infinita.
O progresso é a base.
O consumo é o fim.
Viver é trabalhar para alimentar o vazio e não a alma.
Todos estes sistemas são escravizantes.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Rua

Essa cidade tem linhas em sua face
A arte a riscou sem motivos
Gritando a agonia do indefinido

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Nós

A linguagem fala através de mim.
A estrutura é coletiva.
O eu é coletivo.

Não existe independência.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

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Paradigma da desordem
é pensar que a linguagem
da conta do inconsciente

sábado, 29 de junho de 2013


Universal

O conceito existe em seu oposto
todo dualismo foi composto
nada é divisível.

A gente acha que vive na história
que se opõe ao outro
incompreensível.

Só nós somos a verdade.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Hoje

 Doze km que meus passos deixaram para trás, mas a distância não parece  importar. Três horas absorvias pelo meu corpo inerte. Por minha mente estranhamente calma.
Eu nunca soube sentir o tempo. Meus pensamentos nunca deixaram que eu me aquietasse .. no presente pensava no futuro, no futuro pensava no passado. Os momentos me fugiam. Os passos eram contados, as horas cronometradas. E a ansiedade governava meu corpo. A agonia de estar viva que não me deixava sentir. A agonia que não me deixava viver...
O amor era sempre sonho... mas quando presente era peso. A felicidade era a meta, mas no momento sempre chata. O mundo era grande, mas quando o via... era só supérfluo.
 
...vivia sem sem ser...

Mas hoje... kilometros desvaneceram sob meus pés... horas foram sentidas sem serem pensadas ou percebidas. Hoje, eu entendo o tempo.
Hoje eu vivo.
 E sou.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Eu que vivo de sonhos, não sei viver no presente. Vivo sempre fechada em mim, sonhando com um dia melhor. Mas quando ele chega... mal se faz presente e já me tranco em outro sonho. Me tranco na possibilidade de ser feliz e perco a chance de ser de fato.

Existir.

Solidão é não saber acreditar em nada e precisar de tudo.

Eu não estou só.
Pois eu creio.
Em mim.

Creio que tenho corpo. Creio que tenho voz. Creio que crio.
Creio na vida. Creio que sou. Creio no existir.

Eu existo.
E isso basta para não estar só.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tempestade.

O tempo fechou. O cinza consumia o dia e o vento embalava os cabelos e as roupas. As árvores dançavam e as folhas caiam, se apoiando lentamente no ar para suavizar a queda. E todos nós sabíamos que a tempestade não tardava. Era inevitável.
Então os pássaros se abrigaram e os homens correram para suas casas. Mas eu não. Eu permaneci ali, inerte, sentada na grama.
E o vento aumentou. Ameaçando. E eu apenas deixei que ele bagunçasse meu cabelo... E a chuva começou. Forte. E os trovões vieram. Altos.  E eu apenas me deixei ali...
E quando todos estavam seguros e secos, eu apenas estive ali. E senti as forças que ameaçavam.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O homem.

O tempo não depende do homem para existir. O homem apenas o molda.
Os dias não dependem do amor para nascer. O amor apenas os colore.
A vida não precisa de um motivo para ser. O motivo apenas acalma.

Mas a tristeza... só existe no coração de quem deixa
a fraqueza... no corpo de quem deixa
a inércia... na alma de quem deixa.

O homem quer mudar o mundo inteiro, mas só pode mudar o que tem dentro (e isso ele não muda).
Mas o mundo inteiro pode mudar o homem (e isso ele não permite).

O homem passa a vida tentando tornar o mundo no que ele tem dentro de si, quando deveria transformar a si no que há no mundo.


domingo, 8 de abril de 2012

Pressão.

 É como se o ar tivesse acabado e a gravidade sumido. É como meu corpo não fosse mais corpo. A única coisa que ele é agora é um peito que se comprime pela falta de ar. E eu flutuo no espaço, pelos breves instantes que eu tenho de vida antes da minha cabeça explodir por causa da pressão.
 E esse é o fim do mundo. 

quinta-feira, 1 de março de 2012

saciedade.

O vinho é pouco, o pão nunca basta
a fome é tanta
que o tempo mal passa.
A comida entra no corpo e já se quer mais.

Mas essa fome é só desejo
de quem ta preso
no trânsito da vida
de quem já tem comida
mas nunca tranquilidade.

Não sem sabe mais comê.
Não se sabe nem pra quê.

O vinho é sempre pouco, o pão nunca basta.
A saciedade é o medo de quem sempre gasta.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sol de inverno.

Eu, que vivo sem rumo, nesse vazio imenso de ter que viver,
nesta solidão pacifica de quem não sabe ser um,
me encontro na ilusão de ser só.

(Pois quem vive sem rumo tem que saber ser só.)

Eu dou à minha boca um gosto de por-do-sol
e ao meu corpo um jeito de outono.
E, como o sol que não esquenta, me ponho cedo em tua vida.
E me acordo tarde para o próximo dia...

Eu sou mais minha noite, do que a luz que te guia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Neurose.

Depois de muito tempo, o retorno. E o medo. E o medo de chegar em casa. Mas a felicidade por estar de volta na cidade. Na minha cidade... Na minha cidade! Vou andando sem pressa. Um pé na frente do outro, sem grandes passos, mas com grandes emoções. Aprecio cada prédio, cada pedra mais do que apreciei qualquer museu da Europa. Eu mastigo a cidade. Eu me torno a cidade. Sendo a cidade eu não preciso de nada além de "ser". E quem só é não tem passado. Nem futuro! É bom não ter futuro. É bom, é bom...
Mas mesmo que os passos sejam lentos, a rua é finita. E a porta chega. E a porta chega. É quase como se ela tivesse andando até mim para tornar o caminho menor. É como se ela estivesse só esperando pra ser aberta e me engolir. E a chave. Cade a chave? Bem que eu podia ter perdido a chave... mas não. Não. A chave me achou. Mesmo com tantas coisas na bagagem ela conseguiu encontrar minha mão.
E é com a chave na mão e a porta já colada no corpo que, apesar de preferir virar concreto, me deixo ser devorada pela porta, pelo passado, e por esse futuro que anseia por me deglutir.