Depois de muito tempo, o retorno. E o medo. E o medo de chegar em casa. Mas a felicidade por estar de volta na cidade. Na minha cidade... Na minha cidade! Vou andando sem pressa. Um pé na frente do outro, sem grandes passos, mas com grandes emoções. Aprecio cada prédio, cada pedra mais do que apreciei qualquer museu da Europa. Eu mastigo a cidade. Eu me torno a cidade. Sendo a cidade eu não preciso de nada além de "ser". E quem só é não tem passado. Nem futuro! É bom não ter futuro. É bom, é bom...
Mas mesmo que os passos sejam lentos, a rua é finita. E a porta chega. E a porta chega. É quase como se ela tivesse andando até mim para tornar o caminho menor. É como se ela estivesse só esperando pra ser aberta e me engolir. E a chave. Cade a chave? Bem que eu podia ter perdido a chave... mas não. Não. A chave me achou. Mesmo com tantas coisas na bagagem ela conseguiu encontrar minha mão.
E é com a chave na mão e a porta já colada no corpo que, apesar de preferir virar concreto, me deixo ser devorada pela porta, pelo passado, e por esse futuro que anseia por me deglutir.
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