O tempo fechou. O cinza consumia o dia e o vento embalava os cabelos e as roupas. As árvores dançavam e as folhas caiam, se apoiando lentamente no ar para suavizar a queda. E todos nós sabíamos que a tempestade não tardava. Era inevitável.
Então os pássaros se abrigaram e os homens correram para suas casas. Mas eu não. Eu permaneci ali, inerte, sentada na grama.
E o vento aumentou. Ameaçando. E eu apenas deixei que ele bagunçasse meu cabelo... E a chuva começou. Forte. E os trovões vieram. Altos. E eu apenas me deixei ali...
E quando todos estavam seguros e secos, eu apenas estive ali. E senti as forças que ameaçavam.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
O homem.
O tempo não depende do homem para existir. O homem apenas o molda.
Os dias não dependem do amor para nascer. O amor apenas os colore.
A vida não precisa de um motivo para ser. O motivo apenas acalma.
Mas a tristeza... só existe no coração de quem deixa
a fraqueza... no corpo de quem deixa
a inércia... na alma de quem deixa.
O homem quer mudar o mundo inteiro, mas só pode mudar o que tem dentro (e isso ele não muda).
Mas o mundo inteiro pode mudar o homem (e isso ele não permite).
O homem passa a vida tentando tornar o mundo no que ele tem dentro de si, quando deveria transformar a si no que há no mundo.
Os dias não dependem do amor para nascer. O amor apenas os colore.
A vida não precisa de um motivo para ser. O motivo apenas acalma.
Mas a tristeza... só existe no coração de quem deixa
a fraqueza... no corpo de quem deixa
a inércia... na alma de quem deixa.
O homem quer mudar o mundo inteiro, mas só pode mudar o que tem dentro (e isso ele não muda).
Mas o mundo inteiro pode mudar o homem (e isso ele não permite).
O homem passa a vida tentando tornar o mundo no que ele tem dentro de si, quando deveria transformar a si no que há no mundo.
domingo, 8 de abril de 2012
Pressão.
É como se o ar tivesse acabado e a gravidade sumido. É como meu corpo não fosse mais corpo. A única coisa que ele é agora é um peito que se comprime pela falta de ar. E eu flutuo no espaço, pelos breves instantes que eu tenho de vida antes da minha cabeça explodir por causa da pressão.
E esse é o fim do mundo.
quinta-feira, 1 de março de 2012
saciedade.
O vinho é pouco, o pão nunca basta
a fome é tanta
que o tempo mal passa.
A comida entra no corpo e já se quer mais.
Mas essa fome é só desejo
de quem ta preso
no trânsito da vida
de quem já tem comida
mas nunca tranquilidade.
Não sem sabe mais comê.
Não se sabe nem pra quê.
O vinho é sempre pouco, o pão nunca basta.
A saciedade é o medo de quem sempre gasta.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Sol de inverno.
Eu, que vivo sem rumo, nesse vazio imenso de ter que viver,
nesta solidão pacifica de quem não sabe ser um,
me encontro na ilusão de ser só.
(Pois quem vive sem rumo tem que saber ser só.)
Eu dou à minha boca um gosto de por-do-sol
e ao meu corpo um jeito de outono.
E, como o sol que não esquenta, me ponho cedo em tua vida.
E me acordo tarde para o próximo dia...
Eu sou mais minha noite, do que a luz que te guia.
nesta solidão pacifica de quem não sabe ser um,
me encontro na ilusão de ser só.
(Pois quem vive sem rumo tem que saber ser só.)
Eu dou à minha boca um gosto de por-do-sol
e ao meu corpo um jeito de outono.
E, como o sol que não esquenta, me ponho cedo em tua vida.
E me acordo tarde para o próximo dia...
Eu sou mais minha noite, do que a luz que te guia.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Neurose.
Depois de muito tempo, o retorno. E o medo. E o medo de chegar em casa. Mas a felicidade por estar de volta na cidade. Na minha cidade... Na minha cidade! Vou andando sem pressa. Um pé na frente do outro, sem grandes passos, mas com grandes emoções. Aprecio cada prédio, cada pedra mais do que apreciei qualquer museu da Europa. Eu mastigo a cidade. Eu me torno a cidade. Sendo a cidade eu não preciso de nada além de "ser". E quem só é não tem passado. Nem futuro! É bom não ter futuro. É bom, é bom...
Mas mesmo que os passos sejam lentos, a rua é finita. E a porta chega. E a porta chega. É quase como se ela tivesse andando até mim para tornar o caminho menor. É como se ela estivesse só esperando pra ser aberta e me engolir. E a chave. Cade a chave? Bem que eu podia ter perdido a chave... mas não. Não. A chave me achou. Mesmo com tantas coisas na bagagem ela conseguiu encontrar minha mão.
E é com a chave na mão e a porta já colada no corpo que, apesar de preferir virar concreto, me deixo ser devorada pela porta, pelo passado, e por esse futuro que anseia por me deglutir.
Mas mesmo que os passos sejam lentos, a rua é finita. E a porta chega. E a porta chega. É quase como se ela tivesse andando até mim para tornar o caminho menor. É como se ela estivesse só esperando pra ser aberta e me engolir. E a chave. Cade a chave? Bem que eu podia ter perdido a chave... mas não. Não. A chave me achou. Mesmo com tantas coisas na bagagem ela conseguiu encontrar minha mão.
E é com a chave na mão e a porta já colada no corpo que, apesar de preferir virar concreto, me deixo ser devorada pela porta, pelo passado, e por esse futuro que anseia por me deglutir.
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