terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
Novo dia.
E a gente se amou, e a gente se odiou, como se não houvesse amanhã.Vivemos cada segundo como se não houvesse amanhã. E, de fato, nunca houve. E já havia algum tempo que também não existia hoje... mas era como se não fosse assim, como se aquilo estivesse tão fundo dentro de ti que fosse um presente eterno e contínuo. Mas quem vive o passado achando que é presente nunca tem, nem nunca terá um amanhã.
Algumas pessoas nunca deixam o sol iluminar um novo dia. Querem tanto que o ontem permaneca que passam a vida numa madrugada arrastada.
domingo, 27 de março de 2011
Mudança de pele.
Mudança é arrancar com as unhas sujas e velhas a pele do corpo. É deixar transparecer uma carne nova e nua. Uma carne frágil e sem defesas que ainda vai aprender a ser parte desse mundo turbulento e doente.
Mas para que a carne aprenda, para que a carne se torne parte disso, é preciso que ela adoeca. Que deixe sua delicadeza ser prostituída em silêncio.
Há aqueles poucos que, ao arrancar a carcaca velha e expor a parte nova, não a deixam envelhecer e sujar. Há aqueles que cuidam dessa delicadeza sofrida que a vida nos trás a contra-gosto. Mas esses nunca são vistos como gente. Afinal, quem em sã consciência se expõe desse modo?
quinta-feira, 24 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
Entre a idéia e a convivência.
As pessoas são sempre mais fáceis na idéia. É muito mais simples só saber. A convivência é que torna tudo difícil. Quando te dão notícias de alguém que tu mal conhece, contam histórias boas ou ruins, fatos, mentiras, fofocas. Quando é um estranho que tu admira de longe... quando te contam que ele é moreno ou loiro; que é meigo, explosivo, sincero, falso... olhos azuis, verdes castanhos.... tanto faz. Quando te descrevem ele nos detalhes físicos, sentimentais, despem para ti essa vida alheia te contando as anedotas mais triviais,os segredos mais perturbadores,as intimidades mais mentirosas... ou só comentando ocasionalmente. Essa pessoa não existe. Ela é ainda só uma idéia. Mas quando essa idéia deixa de fazer parte de historinhas e fantasias... aí as coisas comecam a complicar. É aí que tu vê que SIM ela pode ser um problema, que a poesia tão admirada nela é bem mais perturbadora do que tu imaginava. Que aquele ar vingativo ( que é TÃO sexy) na verdade é extremamente irritante e que aquele perfume... aquele perfume do qual tu tanto ouviu falar, que tu fazia de tudo para provar quando ela passava perto, já te enjoa só de imaginar.
É, na idéia tudo é lindo. Tudo parece bonito, glamuroso, suportável... até as manias mais dramáticas se tornam românticas pela boca dos outros. Mas na prática, meu amor... ah, na prática aquelas lágrimas fingidas (que tu sabe que são fingidas) te machucam. A depressão que dava um ar tão blasé e sensual se torna insuportável, aquelas fofoquinhas te irritam e o drama... (drama que já era sabido que aconteceria) te deixa louca!
É, as vezes, seria melhor se mativessemos as idéias no lugar ao qual elas pertencem: na cabeca. Essa história de convivência só fode tudo. Mas, se não fosse por ela, aquele perfume, do qual hoje tu já enjoou, ainda te faria suspirar tentando adivinhar como é. E aquele drama que parecia tão divertido ( hoje sabidamente insuportável) ainda pareceria incrivelmente interessante. Fazer parte daquela vida(mesmo que tu nem goste dessa pessoa) seria eternamente um dos teus desejos. É inevitável que queiramos fazer parte das vidas que nos contam. Nem que seja só por curiosidade, só pra fazer a prova dos nove, nós queremos experimentar um pouquinho daquele existência tão falada. E é só na convivência que descobrimos o homem que há por trás da idéia.
Conviver fode tudo, mas é daí que nasce a vida tanto desses personagens, quanto a tua.
Conviver fode tudo, mas é daí que nasce a vida tanto desses personagens, quanto a tua.
segunda-feira, 21 de março de 2011
O velho e o novo.
De que lado dessa vida que estamos? São tantas definicões que se misturam, tantas verdades que se opõem... são tantas repeticões inexatas, cópias mal feitas refeitas incansavelmente com variantes que não inovam. Só renovam o velho. Mas reformado ou renovado o velho ainda é velho.
E cópias mal feitas não substituem as originais.
Com tanta coisa misturada, amontuada para parecer diferente, com tanta coisa copiando(estragando) o que é bom, fica difícil saber qual é qual...
Mas eu sinto que já não temos nada de original... somos só cópias mal feitas, imitacões capengas.
Somos só jovens que imitam velhos que inovaram.
De novo temos só a idade.
quinta-feira, 17 de março de 2011
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