domingo, 27 de março de 2011

Mudança de pele.

Mudança é arrancar com as unhas sujas e velhas a pele do corpo. É deixar transparecer uma carne nova e nua. Uma carne frágil e sem defesas que ainda vai aprender a ser parte desse mundo turbulento e doente.
Mas para que a carne aprenda, para que a carne se torne parte disso, é preciso que ela adoeca. Que deixe sua delicadeza ser prostituída em silêncio.
Há aqueles poucos que, ao arrancar a carcaca velha e expor a parte nova, não a deixam envelhecer e sujar. Há aqueles que cuidam dessa delicadeza sofrida que a vida nos trás a contra-gosto. Mas esses nunca são vistos como gente. Afinal, quem em sã consciência se expõe desse modo?

2 comentários:

o menino viajante disse...

ca-ra-lho!
conseguiste de novo! parabéns!!!

Júlia disse...

obrigada *.*