quarta-feira, 23 de março de 2011

Entre a idéia e a convivência.

As pessoas são sempre mais fáceis na idéia. É muito mais simples só saber. A convivência é que torna tudo difícil. Quando te dão notícias de alguém que tu mal conhece, contam histórias boas ou ruins, fatos, mentiras, fofocas. Quando é um estranho que tu admira de longe... quando te contam que ele é moreno ou loiro; que é meigo, explosivo, sincero, falso... olhos azuis, verdes castanhos.... tanto faz. Quando te descrevem ele nos detalhes físicos, sentimentais, despem para ti essa vida alheia te contando as anedotas mais triviais,os segredos mais perturbadores,as intimidades mais mentirosas... ou só comentando ocasionalmente. Essa pessoa não existe. Ela é ainda só uma idéia. Mas quando essa idéia deixa de fazer parte de historinhas e fantasias... aí as coisas comecam a complicar. É aí que tu vê que SIM ela pode ser um problema, que a poesia tão admirada nela é bem mais perturbadora do que tu imaginava. Que aquele ar vingativo ( que é TÃO sexy) na verdade é extremamente irritante e que aquele perfume... aquele perfume do qual tu tanto ouviu falar, que tu fazia de tudo para provar quando ela passava perto, já te enjoa só de imaginar.
É, na idéia tudo é lindo. Tudo parece bonito, glamuroso, suportável... até as manias mais dramáticas se tornam românticas pela boca dos outros. Mas na prática, meu amor... ah, na prática aquelas lágrimas fingidas (que tu sabe que são fingidas) te machucam. A depressão que dava um ar tão blasé e sensual se torna insuportável, aquelas fofoquinhas te irritam e o drama... (drama que já era sabido que aconteceria) te deixa louca!
É, as vezes, seria melhor se mativessemos as idéias no lugar ao qual elas pertencem: na cabeca. Essa história de convivência só fode tudo. Mas, se não fosse por ela, aquele perfume, do qual hoje tu já enjoou, ainda te faria suspirar tentando adivinhar como é. E aquele drama que parecia tão divertido ( hoje sabidamente insuportável) ainda pareceria incrivelmente interessante. Fazer parte daquela vida(mesmo que tu nem goste dessa pessoa) seria eternamente um dos teus desejos. É inevitável que queiramos fazer parte das vidas que nos contam. Nem que seja só por curiosidade, só pra fazer a prova dos nove, nós queremos experimentar um pouquinho daquele existência tão falada. E é só na convivência que descobrimos o homem que há por trás da idéia.
Conviver fode tudo, mas é daí que nasce a vida tanto desses personagens, quanto a tua.

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