domingo, 8 de abril de 2012

Pressão.

 É como se o ar tivesse acabado e a gravidade sumido. É como meu corpo não fosse mais corpo. A única coisa que ele é agora é um peito que se comprime pela falta de ar. E eu flutuo no espaço, pelos breves instantes que eu tenho de vida antes da minha cabeça explodir por causa da pressão.
 E esse é o fim do mundo. 

quinta-feira, 1 de março de 2012

saciedade.

O vinho é pouco, o pão nunca basta
a fome é tanta
que o tempo mal passa.
A comida entra no corpo e já se quer mais.

Mas essa fome é só desejo
de quem ta preso
no trânsito da vida
de quem já tem comida
mas nunca tranquilidade.

Não sem sabe mais comê.
Não se sabe nem pra quê.

O vinho é sempre pouco, o pão nunca basta.
A saciedade é o medo de quem sempre gasta.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sol de inverno.

Eu, que vivo sem rumo, nesse vazio imenso de ter que viver,
nesta solidão pacifica de quem não sabe ser um,
me encontro na ilusão de ser só.

(Pois quem vive sem rumo tem que saber ser só.)

Eu dou à minha boca um gosto de por-do-sol
e ao meu corpo um jeito de outono.
E, como o sol que não esquenta, me ponho cedo em tua vida.
E me acordo tarde para o próximo dia...

Eu sou mais minha noite, do que a luz que te guia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Neurose.

Depois de muito tempo, o retorno. E o medo. E o medo de chegar em casa. Mas a felicidade por estar de volta na cidade. Na minha cidade... Na minha cidade! Vou andando sem pressa. Um pé na frente do outro, sem grandes passos, mas com grandes emoções. Aprecio cada prédio, cada pedra mais do que apreciei qualquer museu da Europa. Eu mastigo a cidade. Eu me torno a cidade. Sendo a cidade eu não preciso de nada além de "ser". E quem só é não tem passado. Nem futuro! É bom não ter futuro. É bom, é bom...
Mas mesmo que os passos sejam lentos, a rua é finita. E a porta chega. E a porta chega. É quase como se ela tivesse andando até mim para tornar o caminho menor. É como se ela estivesse só esperando pra ser aberta e me engolir. E a chave. Cade a chave? Bem que eu podia ter perdido a chave... mas não. Não. A chave me achou. Mesmo com tantas coisas na bagagem ela conseguiu encontrar minha mão.
E é com a chave na mão e a porta já colada no corpo que, apesar de preferir virar concreto, me deixo ser devorada pela porta, pelo passado, e por esse futuro que anseia por me deglutir.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A tristeza, a bondade e o suicídio.

Sempre me falaram sobre os homens maus. E sobre como as pessoas são cruéis com os outros. Mas eu rodei o mundo pra ver o que tinha de feio. Olhei dentro dos rostos mais estragados. E, apesar do que me disseram, só achei homens tristes. Pessoas lindas, mas cansadas. Atrás de cada ruga eu achei o sorriso que a criou. E a lágrima que o fechou. Vi o quanto os homens se deformam quando tentam ser maus e que a deformação é só um jeito de se punir.
Não, eu não achei qualquer homem mau. Os homens não são maus. São infinitamente tristes. E se perdem nessa tristeza... tentando se matar machucam os outros. Mas não é por mau. É só que esse vazio é tão grande que se precisa fugir, não importa como. E fugindo se parece ser mau. Mas é só tristeza. Uma tristeza que nos mata, que os mata em cada ato, em cada medo. É um suicídio. A diferença entre os "bons" e os "maus" é só a velocidade com que se matam.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Janela.

A janela ainda me chama
me pede pra sentir a grama
do chão.
sentir o vento no corpo
e no limite da vida
cicatrizar a ferida
e enterrar a menina
que viveu em vão
que amou sem vão
e que morreu no chão.