domingo, 17 de outubro de 2010

Outrora.

Era mesma menina de sempre, da porta trancada, dos gestos travados, dos olhos de livros.
Continuava com o silêncio duro de quem se importa, com a risada gritada de quem não cresceu e balançando no ar as pernas machucadas.
Mas havia qualquer coisa naquele sorriso de diferente... qualquer coisa de ausente.
Não havia naqueles olhos de sempre algum sonho lavado pela agua que cai do céu e se projeta na lágrima. Na lágrima que cai levando parte da alma que já não cabe no peito, esparramando no chão os sorrisos de outrora.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Não se pode escrever tudo.


Do erro.

São só as mesmas pessoas de sempre fazendo as mesmas coisas de sempre. Não tem nada de errado nisso.
O único erro é ainda acreditar nelas.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

único fim.

Ver em teus olhos que está aprendendo a morrer é sentir que nada nunca foi o suficiente, que nunca um presente será tão carinhoso como em nossas memórias... sentir o brilho de teus olhos sendo ofuscado pelo peso da idade é ter sugado parte de minha própria história. Pois nenhuma história jamais será tão forte, nenhuma mulher tão corajosa e nenhum amor tão seguro.
Egoistamente odeio tua tranqüilidade e tua aceitação de uma verdade tão absoluta e necessária. Odeio tudo aquilo que possa acabar com minha infância tão bonita e tão bem guardada em cada ruga do teu rosto, em cada cicatriz do teu corpo. Odeio o tempo que se alimenta de nossas vidas. Odeio todo os finais, por mais que eles sejam o único fim.

domingo, 10 de outubro de 2010

Um amor ainda tão vivo nos olhos, um jeito tão sutil de amar... uma paixão dolorida e disfarçada.
Em cada gesto, em cada palavra boba, uma implícita declaracão de amor de quem nunca esqueceu... mas no corpo inteiro uma certeza nostálgica de que acabou. De que a dura poesia do tempo te prendeu no passado e na memória.
Aos olhos de quem amou, amar nunca vira pretérito. Só vira saudade.

sábado, 9 de outubro de 2010