Não, não mudaste. Fui eu quem mudoi. Mudei e já não reconheço meu rosto no espelho em que te transformei. Não reconheço minha história no museu que ergueste em cada pedra do meu cotidiano. Nem nos balancos que ritmaram minha infância, nem nos meus desamores que me fecharam ruas. Não, meu porto tão velho e triste, não me vejo mais em ti...
É preciso que o mundo gire dentro de mim para que eu possa encontrar a estrada que me leve para casa. E um caminho que me permita reconhecer nela um lar.
É preciso ser estrangeira de novo. É preciso saudades para entender que não é a pedra que me conta histórias, mas eu que encontro nela minhas lembranças. Eu que faco de tuas ruas meu museu, do teu corpo meu espelho. É de meu amor que tu vira, não só um porto velho, mas Porto Alegre.