quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Entenda o cinza.

É verdade, o preto e o branco são mais seguros. Nunca se tem dúvidas sobre eles. Agora, o cinza... o cinza incomoda muita gente. Alguns tons parecem pretos; outros, parecem brancos, mas só parecem, não chegam a ser. Eles ficam alí, parecendo, naquele estranho meio termo, naquela linha tênue que separa os conceitos de bem e mal, certo e errado...
Mas vocês têm que entender o cinza. Ele preenche esse mundo onde o branco e o preto se misturaram e se difundiram pelas mais diversas culturas e filosofias. Reparem que as cores puras já são muito raras.
Se ficarmos só com o seguro preto e branco, nunca entenderemos a lógica e a mistura desse mundo tão confusamente cinza.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sob essa nova óptica.

Maior que tudo, era movimento de todo dia. Momento de todo tempo. A hora que rege os dias, e não parte dos dias que regem o tempo. Maior que o tempo. Mais mutável que os ventos.
Maior que eu, tu, nós, vós eles; era ele.
Num presente contínuo sem nunca encontrar nem presente, nem passado, nem sempre. Maior que sempre, maior que nunca. Só ele.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Não,

Não era amor...
era uma busca por liberdade,
era pura vaidade.
eram umas garrafas vazias,
não saber das horas nem dos dias...
eram alguns cigarros,
alguns baseados,
alguns deveres trocados
pela ingenuidade da liberdade,
pela beleza da mocidade...

Não era amor...
não doía à noite,
nós saíamos à noite.
não haviam tristezas,
mas também, sem grandes belezas...
não éramos pra sempre
apenas éramos hoje
sem mais nada entre.
Sem ontem, sem amanhã

Não... não era amor...
era muito melhor...

... mas muito menor.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ingenuidade e Morte.

Alguns prendiam o choro, alguns choravam. Choravam o medo da morte, a morte do morto, a sua própria morte no enterro das memórias.
E aquelas pessoas de preto seguiam aqueles rituais que elas nem entendiam, só faziam por costume, enquanto o peso da morte entrava por todos os seus poros. Entrava, e as asfixiava com com o medo do inevitável.
E enquanto o morto era enterrado,as lágrimas afogavam o mundo adulto. Mas, ao fundo, uma criança que ainda não entendia a morte, perguntava ingenuamente "pai, será que um dia eu vou morrer também?". E o pai, adulto e perturbado com a pergunta reponde"quem sabe, meu filho, quem sabe...". Mas ele sabe...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os três sustos.

O primeiro susto:
é um aviso. Mas ninguém escuta... é ainda só um susto.
O segundo susto:
é quando o mundo exterior invade a tua serenidade, mas nem por isso tu perde o sono à noite
O terceiro susto:
Quando o mundo exterior se torna maior que teu próprio mundo, e o susto, e o medo, viram tua realidade. Mas aí já é tarde de mais...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

o tempo e o acerto

Hoje eu posso te garantir que estou mais velha do que nunca.
Das certezas falsas que derramei na terra, colhi a maturidade de quem entendeu o erro. Mas, principalmente, de quem entendeu o acerto. De quem entendeu que as coisas são belas e reais por um certo tempo. Tempo este, que na hora é eterno, mas que sempre morre. E nisso há tristezas sim, mas há muito mais belezas.
Sim, precisamos enterrar os sonhos com nossas lágrimas, em nossos olhos. Mas é preciso entender que é justamente da morte que nasce a vida. Que é com nossos erros e acertos mutáveis, com nossos "finais felizes", nossos "para sempre" que alimentamos nossa alma.
Mais dolorido que aceitar um erro, é aceitar que foi um acerto, mas que mudou. É aceitar que o tempo fez o acerto esquecer de acontecer ...
Afinal, o tempo sempre transforma. Transforma "nós" em "outros". Transforma as realidades, as felicidades, a beleza... mas nem por isso a beleza se torna feia. Ou a realidade se torna falsa. Mesmo que hoje ela assim pareca, naquele tempo não era a vida que tínhamos.
E é nessa bagunça da vida e do tempo em que vivemos e morremos todos os dias. Só não podemos nos esquecer de recomeçar. Sem o recomeco, só persiste a morte. Só a morte. Sem acerto, sem erro. Sem nada.