Hoje eu posso te garantir que estou mais velha do que nunca.
Das certezas falsas que derramei na terra, colhi a maturidade de quem entendeu o erro. Mas, principalmente, de quem entendeu o acerto. De quem entendeu que as coisas são belas e reais por um certo tempo. Tempo este, que na hora é eterno, mas que sempre morre. E nisso há tristezas sim, mas há muito mais belezas.
Sim, precisamos enterrar os sonhos com nossas lágrimas, em nossos olhos. Mas é preciso entender que é justamente da morte que nasce a vida. Que é com nossos erros e acertos mutáveis, com nossos "finais felizes", nossos "para sempre" que alimentamos nossa alma.
Mais dolorido que aceitar um erro, é aceitar que foi um acerto, mas que mudou. É aceitar que o tempo fez o acerto esquecer de acontecer ...
Afinal, o tempo sempre transforma. Transforma "nós" em "outros". Transforma as realidades, as felicidades, a beleza... mas nem por isso a beleza se torna feia. Ou a realidade se torna falsa. Mesmo que hoje ela assim pareca, naquele tempo não era a vida que tínhamos.
E é nessa bagunça da vida e do tempo em que vivemos e morremos todos os dias. Só não podemos nos esquecer de recomeçar. Sem o recomeco, só persiste a morte. Só a morte. Sem acerto, sem erro. Sem nada.