sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Os verbos não pesam nem bastam.

Viver é insustentável. A vida nos esmaga com o peso de seus dias... mas é esse peso que não deixa que o tempo se volatilize.
Ser, é só leve. Sua leveza reside na literalidade dos verbos, na simplicidade crua deles... mas eles nos prendem por não saberem se conjugar no tempo e pessoa certas. A vida é abstrata, e não se completa com a literalidade.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sapatilhas.

Não é o meu corpo, nem a gravidade que me prendem no chão, mas meus pés. Essas coisinhas achatadas pelo peso a terra não entendem o sentido de voar. Como raízes que prendem minha alma, são minha conexão com o sujo.
Os pés só são bonitos em sapatilhas de pontas. Só assim eles me elevam aos céus.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Rebeldia e ambição.


Para ela, ele havia sido somente uma traição. Um movimento de rebeldia que a impelia para longe da mãe. Encontrar o amor no ato de amar era renegar os ensinamentos e se entregar aos medos maternos.
Para ele, ela havia sido sua maior ambição. nunca havia se doado tão alto a um sonho. E do topo dele, avistando o casamento idealizado, sentia vertigem. Tinha medo de cair pois sabia: nunca mais sonharia novamente.
E desse medo ele alimentava cada vez mais sua obsessão por ela, e suas perguntas e ciúmes silenciavam o amor e a boca amada. O silêncio do firme cerrar de lábios dela era o último refúgio onde mantinha a traição à mãe. E o primeiro passo de sua traição ao amor.

Tempo e tragédia.

A tarde é a manhã dos bêbados. Esses seres noturnos que se arrastam pelos dias buscando o próximo copo. E que parecem só ter vida quando os únicos astros visíveis no céu de suas metrópoles são as dos postes. São eles que iluminam amarelo suas vidas. Essas vidas que são todas umas tragédias pelo mero fato de serem vidas. Mas quem chora por elas? Afinal, os passos tortuosos que avançam esquecem do tempo que os segue. Enterre o tempo, que enterrarás todas tragédias.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Pelo fim do estigma da pureza feminino!

Não, eu não sou pura, nem inocente, nem virgem, nem coitadinha, nem ingenua, e MUITO MENOS perfeita. Eu traio, eu erro, eu peco, eu minto, eu sou tão suja e podre quanto qualquer homem. Eu sou feia. Eu gosto de sexo. Eu me masturbo e GOSTO DISSO. Sim, eu tenho pensamentos pervertidos e olho os corpos que passam na rua. Sim, eu tenho desejo e sim, eu sei o que está acontecendo (se pareço enrolável é por que tu foi enrolado). Eu batalho, eu me viro e não preciso de proteção. Sou mulher e aguento 9 vezes mais dor que qualquer homem. Sou mulher e, sim, eu sei correr, sim eu sei brigar e bater e falar palavrão. E sim, a tua irmã, a tua mãe, a tua vó também. Nós mulheres não somos perfeitas. Não somos puras. Não engravidamos virgens. E nem por isso somos menos, e nem por isso somos vadias. Somos seres tão belos e feios quanto os homens. Nem mais nem menos que isso. Aceitar-me como mulher igual e independente é aceitar-me com meus erros, defeitos e sujeiras. Pelo fim do estigma da pureza feminino! Pela igualdade de direitos e defeitos!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Filha da violência.

Mesmo no teu sorriso mais belo, teus olhos ainda te denunciam.
E em teu abraco mais impessoal, ainda busca carinho...
Em cada momento de sonho, ainda há uma sombra.
E a quem beijar teu rosto, o gosto das lágrimas.

Há em ti o medo. Um desses que mancham uma família inteira de dor.

Escondido em teus olhos o medo dos agredidos.
Buscando com teus abraços os carinhos prometidos...
Em qualquer felicidade, foge das lembranças maltratadas.
E o gosto do teu rosto guarda o segredo das noites silenciadas.




Febre

Em movimentos infinitamente circulares o estômago se contorce enquanto busca palavras para vomitar a dor de ser. O corpo chora pelos poros as lágrimas que os olhos se negaram a chorar.
A confiança entre cérebro e corpo foi quebrada. Nem minhas pernas, nem minhas mãos me defenderão do chão se ele me puxar... temo que qualquer passo se torne uma queda.
Meu corpo treme, hesitando em se entregar para o frio que cresce. Mas ele ainda assim cresce. E as cobertas não bastam. Blusões são inúteis. Nada aquece o frio que vem de dentro...