quinta-feira, 2 de junho de 2011
inversões
Quem disse que a terra pesa mais do que o céu? Ou que o peso dos homens é maior que o dos sonhos? É o céu que mantém a terra em órbita, não ao contrário. Ele que a atrai com seu peso gigante, denso de tantos ideais...
quarta-feira, 1 de junho de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
As prisões da memória.
Um ruido de passos se arrastando no assoalho de madeira enchia a casa, outrora silenciosa. Esse som, que se tornou assíduo nas madrugadas, a acordava no início. A deixava trêmula e petrificada na cama enquanto esperava o silêncio absoluto que a devolvia para seu sono. Mas agora, esse som que ecoava vazio embalava seus sonhos.
Aquela casa taciturna, que hoje só cantava à noite, já fora repleta de vida e som. Era uma farfalhar constante de risos e músicas. Uma confusão de desejos e amores deliciosos que se perdiam nas tardes longas... que brilhavam nas noites sem fim dos jovens.
Com o passar dos anos, as cores perderam sua nitidez. A falta de foco da visão que se deteriorava tornava impossível qualquer beleza. Ou feiúra. As duas, enevoadas, já não sabiam se diferenciar. E com os sons, com os toques, com os gostos... acontecia o mesmo. O corpo comecava a esquecer de como sentir. E o tempo de como acontecer. Naquela mesmice cinza e surda, os dias e as noites se atrasavam pra passar, enquanto a casa se tornava vazia e muda.
Hoje, tudo que se podia ouvir era o ressoar fúnebre do passado que se arrastava pela memória, rasgando o tempo com tanta forca que fazia ranger a casa de madeira. Somente na madrugada podia se ouvir o cantar daquele outro tempo. Aquele tempo que amedrontou com sua saudades, mas que não acorda mais a velha matriarca, tão acostumada com os fantasmas da perda.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
coitada
Sempre seguindo com sua alegria frustrada,
alugando com mentiras seus viveres forçados,
sufocando com sorrisos seus amores emprestados.
Segue embebedando a verdade estragada,
reinando suplicante na noite do nada,
sorri se vendo sepultada.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Quases.
Estou farta de metades! Já basta de meias verdades, meios amores, de quase sucessos! Cansei dessa vida vivida em prestações! Dessas metades que nunca se juntam em coisa alguma!
Basta de quase conseguir, de quase chegar lá... basta de sonhos que só chegam perto de ser, mas nunca vivem... nunca vivem como foram sonhados, nunca concretizam a felicidade sonhada nem recompensam o esforco! Não... não recompensam... quase chegar lá é sempre sentir que faltou um pedaço. Um pedaço pequeno mas extremamente necessário.
Pra mim chega de quases.
Sonhar é só pra quem não consegue fazer.
domingo, 1 de maio de 2011
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