Doze km que meus passos deixaram
para trás, mas a distância não parece importar. Três horas absorvias pelo meu corpo
inerte. Por minha mente estranhamente calma.
Eu nunca soube sentir o tempo. Meus pensamentos nunca deixaram que eu me aquietasse .. no presente pensava no futuro, no futuro pensava no passado. Os
momentos me fugiam. Os passos eram contados, as horas cronometradas. E a ansiedade governava meu corpo. A agonia de estar viva que não me deixava
sentir. A agonia que não me deixava viver...
O amor era sempre sonho... mas quando presente era peso. A felicidade era a meta,
mas no momento sempre chata. O mundo era grande, mas quando o via... era só supérfluo.
...vivia sem sem ser...
Mas hoje... kilometros desvaneceram sob meus pés... horas foram sentidas sem
serem pensadas ou percebidas. Hoje, eu entendo o tempo.
Hoje eu vivo.
E sou.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Existir.
Solidão é não saber acreditar em nada e precisar de tudo.
Eu não estou só.
Pois eu creio.
Em mim.
Creio que tenho corpo. Creio que tenho voz. Creio que crio.
Creio na vida. Creio que sou. Creio no existir.
Eu existo.
E isso basta para não estar só.
Eu não estou só.
Pois eu creio.
Em mim.
Creio que tenho corpo. Creio que tenho voz. Creio que crio.
Creio na vida. Creio que sou. Creio no existir.
Eu existo.
E isso basta para não estar só.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Tempestade.
O tempo fechou. O cinza consumia o dia e o vento embalava os cabelos e as roupas. As árvores dançavam e as folhas caiam, se apoiando lentamente no ar para suavizar a queda. E todos nós sabíamos que a tempestade não tardava. Era inevitável.
Então os pássaros se abrigaram e os homens correram para suas casas. Mas eu não. Eu permaneci ali, inerte, sentada na grama.
E o vento aumentou. Ameaçando. E eu apenas deixei que ele bagunçasse meu cabelo... E a chuva começou. Forte. E os trovões vieram. Altos. E eu apenas me deixei ali...
E quando todos estavam seguros e secos, eu apenas estive ali. E senti as forças que ameaçavam.
Então os pássaros se abrigaram e os homens correram para suas casas. Mas eu não. Eu permaneci ali, inerte, sentada na grama.
E o vento aumentou. Ameaçando. E eu apenas deixei que ele bagunçasse meu cabelo... E a chuva começou. Forte. E os trovões vieram. Altos. E eu apenas me deixei ali...
E quando todos estavam seguros e secos, eu apenas estive ali. E senti as forças que ameaçavam.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
O homem.
O tempo não depende do homem para existir. O homem apenas o molda.
Os dias não dependem do amor para nascer. O amor apenas os colore.
A vida não precisa de um motivo para ser. O motivo apenas acalma.
Mas a tristeza... só existe no coração de quem deixa
a fraqueza... no corpo de quem deixa
a inércia... na alma de quem deixa.
O homem quer mudar o mundo inteiro, mas só pode mudar o que tem dentro (e isso ele não muda).
Mas o mundo inteiro pode mudar o homem (e isso ele não permite).
O homem passa a vida tentando tornar o mundo no que ele tem dentro de si, quando deveria transformar a si no que há no mundo.
Os dias não dependem do amor para nascer. O amor apenas os colore.
A vida não precisa de um motivo para ser. O motivo apenas acalma.
Mas a tristeza... só existe no coração de quem deixa
a fraqueza... no corpo de quem deixa
a inércia... na alma de quem deixa.
O homem quer mudar o mundo inteiro, mas só pode mudar o que tem dentro (e isso ele não muda).
Mas o mundo inteiro pode mudar o homem (e isso ele não permite).
O homem passa a vida tentando tornar o mundo no que ele tem dentro de si, quando deveria transformar a si no que há no mundo.
domingo, 8 de abril de 2012
Pressão.
É como se o ar tivesse acabado e a gravidade sumido. É como meu corpo não fosse mais corpo. A única coisa que ele é agora é um peito que se comprime pela falta de ar. E eu flutuo no espaço, pelos breves instantes que eu tenho de vida antes da minha cabeça explodir por causa da pressão.
E esse é o fim do mundo.
quinta-feira, 1 de março de 2012
saciedade.
O vinho é pouco, o pão nunca basta
a fome é tanta
que o tempo mal passa.
A comida entra no corpo e já se quer mais.
Mas essa fome é só desejo
de quem ta preso
no trânsito da vida
de quem já tem comida
mas nunca tranquilidade.
Não sem sabe mais comê.
Não se sabe nem pra quê.
O vinho é sempre pouco, o pão nunca basta.
A saciedade é o medo de quem sempre gasta.
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