terça-feira, 25 de setembro de 2012

Eu que vivo de sonhos, não sei viver no presente. Vivo sempre fechada em mim, sonhando com um dia melhor. Mas quando ele chega... mal se faz presente e já me tranco em outro sonho. Me tranco na possibilidade de ser feliz e perco a chance de ser de fato.

Existir.

Solidão é não saber acreditar em nada e precisar de tudo.

Eu não estou só.
Pois eu creio.
Em mim.

Creio que tenho corpo. Creio que tenho voz. Creio que crio.
Creio na vida. Creio que sou. Creio no existir.

Eu existo.
E isso basta para não estar só.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Tempestade.

O tempo fechou. O cinza consumia o dia e o vento embalava os cabelos e as roupas. As árvores dançavam e as folhas caiam, se apoiando lentamente no ar para suavizar a queda. E todos nós sabíamos que a tempestade não tardava. Era inevitável.
Então os pássaros se abrigaram e os homens correram para suas casas. Mas eu não. Eu permaneci ali, inerte, sentada na grama.
E o vento aumentou. Ameaçando. E eu apenas deixei que ele bagunçasse meu cabelo... E a chuva começou. Forte. E os trovões vieram. Altos.  E eu apenas me deixei ali...
E quando todos estavam seguros e secos, eu apenas estive ali. E senti as forças que ameaçavam.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

O homem.

O tempo não depende do homem para existir. O homem apenas o molda.
Os dias não dependem do amor para nascer. O amor apenas os colore.
A vida não precisa de um motivo para ser. O motivo apenas acalma.

Mas a tristeza... só existe no coração de quem deixa
a fraqueza... no corpo de quem deixa
a inércia... na alma de quem deixa.

O homem quer mudar o mundo inteiro, mas só pode mudar o que tem dentro (e isso ele não muda).
Mas o mundo inteiro pode mudar o homem (e isso ele não permite).

O homem passa a vida tentando tornar o mundo no que ele tem dentro de si, quando deveria transformar a si no que há no mundo.


domingo, 8 de abril de 2012

Pressão.

 É como se o ar tivesse acabado e a gravidade sumido. É como meu corpo não fosse mais corpo. A única coisa que ele é agora é um peito que se comprime pela falta de ar. E eu flutuo no espaço, pelos breves instantes que eu tenho de vida antes da minha cabeça explodir por causa da pressão.
 E esse é o fim do mundo. 

quinta-feira, 1 de março de 2012

saciedade.

O vinho é pouco, o pão nunca basta
a fome é tanta
que o tempo mal passa.
A comida entra no corpo e já se quer mais.

Mas essa fome é só desejo
de quem ta preso
no trânsito da vida
de quem já tem comida
mas nunca tranquilidade.

Não sem sabe mais comê.
Não se sabe nem pra quê.

O vinho é sempre pouco, o pão nunca basta.
A saciedade é o medo de quem sempre gasta.

domingo, 26 de fevereiro de 2012