domingo, 24 de abril de 2011

Há muitas histórias.

Há muito mais para ser dito do que pode ser ouvido, muito mais para contar do que o peso do tempo pode carregar.
Há muitas histórias escondida nos séculos. Tantas, que a matéria mundana não consegue suportar.
Há tanto mais em nós do que sabemos ser. Somos só o que lembramos de ser. Somos as histórias que sabemos falar.
Somos só a sombra de uma existência que não teria fim...
E, ainda assim, não cabemos nos dias. Não cabemos nos séculos.
Mesmo que esquecamos de ser, o mundo não sabe nos carregar no tempo.

terça-feira, 19 de abril de 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

nuvem


Sempre achei que as nuvens pareciam feitas de tinta... de uma tinta que pintava no céu os sonhos dos homens. Sonhos tão altos quanto o limite da visão. Sonhos maiores que as almas dos homens. Tão maiores, que o mais perto que os sonhadores chegavam deles era quando chovia... e então eles podiam sentir esse breve vislumbre de como seria...
E todos pensavam... "Pena que as nuvens moram tão longe..."

Do perdão de todo dia.

Hoje o coração dói, o peito pesa, as lágrimas pendem. Hoje é como se nunca fossemos ser nós de novo. Como se nosso sempre tivesse sido interrompido. Como se o sempre acabasse...Mas amanhã... amanhã, com o soluco preso, as lágrimas entaladas e uma tristeza nunca dita, te perdoarei. Perdoarei as palavras que tu nunca disse, embora necessárias. As respostas que nunca tive, a verdade que eu nunca soube. Perdoarei tudo que tu esqueceu de fazer e o que tu fez sem me dizer. Perdoarei as noites que não dormi lamentando. Até os dias que não vivi.
Amanhã, meu amor. Amanhã, até a tua melhor intencão e a tua pior acão serão perdoadas e acolhidas como uma só.
Amanhã, meu amor. Amanhã. Hoje, é tarde. Dorme. Que eu durmo também. Dorme, que eu sempre vou acreditar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Surdez

A gente tem que aprender a ouvir. Temos que ouvir o que vem do fundo de nossa alma, entender aqueles sentimentos tão estranhos, transformar aquela abstração em palavras.
Acho que as respostas estão mesmo dentro de nós. Claro que não todas. Mas aquelas que nos dizem respeito já estão aqui. Aqui dentro, presas em nós, só esperando serem traduzidas para nosso ser diário. Pra esse nosso ser que só parece constante, mas que busca todos os dias uma mudança. Ele parece constante pois nós o tornamos assim. E se o fazemos é só pela conveniência. O previsível é muito mais fácil de se entender e muito mais fácil de se lidar. Não exige grandes esforços.O imprevisível é mais difícil, mas é o que ele é. E o que ele quer é trazer para o mundo aquilo que prende dentro de si, aquilo que é vivo e mutável, que sente, que expressa, que produz. É nascer para o mundo com toda sua grandeza, beleza e fragilidade.
Mas a gente não deixa. A gente não se deixa nascer. A gente não mostra esse nosso ser. A gente o esconde, o abafa com mil regras. Com mil medos. A gente torna a matéria prima de nossa alma algo cinza e sem graca.
Cinza e sem graca. Que nem essa cidade. Que nem essa alma de toda gente. Que nem essa alma minha que não mais sabe ouvir. Cinza, sem graca e surda.

terça-feira, 29 de março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

Novo dia.

E a gente se amou, e a gente se odiou, como se não houvesse amanhã.Vivemos cada segundo como se não houvesse amanhã. E, de fato, nunca houve. E já havia algum tempo que também não existia hoje... mas era como se não fosse assim, como se aquilo estivesse tão fundo dentro de ti que fosse um presente eterno e contínuo. Mas quem vive o passado achando que é presente nunca tem, nem nunca terá um amanhã.
Algumas pessoas nunca deixam o sol iluminar um novo dia. Querem tanto que o ontem permaneca que passam a vida numa madrugada arrastada.